MANIFESTO PARA 1º DE MAIO

Hoje, dia 1 de Maio, a Associação Opus Gay presta homenagem a todos os nossos precursores nesta luta, lésbicas, gays e trangenders que viram as suas vidas estragadas e destruídas, por causa da sua orientação sexual, durante séculos.

Elas e eles, têm sido continuamente vítimas de exclusão e perseguições sociais, perante o silêncio cúmplice de quase todos, a vários níveis da sociedade. Ainda não esquecemos o assassínio a frio de um transsexual no Porto, por razoes de ódio homofóbico e exclusão social .

A sociedade contemporânea ja percebeu que dentro das várias e gravosas formas de exclusão social, as discriminaçoes da orientação sexual constituem prova e causa do atraso político económico e social em que vivemos .Instâncias como a Comissão Europeia têem a mesma abordagem.

A questão da luta legal contra os comportamentos de ódio homofobico é da competência do Governo. Mas os poderes regional e local devem também debruçar-se sobre esta questão, não excluindo a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo ,e as uniões de facto.Ambas são identificativos do grau de respeito pelos Direitos Humanos de um país, e também da qualidade da sua Democracia.

Saudamos as mulheres portuguesas e as suas organizações representativas que travam ainda hoje uma batalha crucial pela sua dignidade, quer a nível das questões da paridade, quer a nível da questão dita fracturante da Interrupção Voluntária da Gravidez. Esta questão não pode continuar a ser adiada, já que determina a nossa adesão plena à Modernidade ,e ao concerto das nações da União Europeia .

Para isso , Portugal precisa de ser um Estado de Direito que respeite os Direitos Humanos de todos. A Justiça não funciona, e os nossos jovens e as crianças não vêem a sua dignidade respeitada, como se tem vindo a verificar com alguns dos factos mediáticos ( Casa Pia e outros semelhantes) em instituições sociais de acolhimento ,por causa de manobras dilatórias do Governo e do Parlamento que continuam cegos, nao querendo ver que os Portugueses precisam de se reconciliar.

Saudamos todos os emigrantes portugueses e os imigrantes estrangeiros, que enriquecem económica e culturalmente o nosso país, os quais lutam pela sua dignidade, tantas vezes esmagada por pessoas e entidades sem escrúpulos, racistas ou xenófobas.

Também queremos saudar os milhões de jovens franceses que saíram vitoriosamente à rua, para lutar contra um projecto de lei, que lhes retirava dignidade, fruto de uma visão exclusivamente neoliberal nas relações laborais, visando o aproveitamento da fragilidade de um dos elos mais fracos da sociedade, que são os jovens.

Hoje prestamos homenagem às mulheres e aos homens que deram as suas vidas, como os operários de Chicago em 1886, pela jornada de trabalho de 8 horas. Com eles prestamos homenagem à CGTP/Intersindical e à UGT, as centrais sindicais dos trabalhadores portugueses.

Esperamos que nestes tempos difíceis, tenham a sensibilidade para defender os Direitos Humanos dos trabalhadores que pertencem a estas minorias sexuais e que são quotidianamente vitimas de muitas formas gravosas de discriminação, nos seus locais de emprego, por parte dos patrões, colegas e empregados, e mesmo dos clientes.

Hoje em dia, as portuguesas e os portugueses, os trabalhadores em geral, enfrentam um grande desafio que é o da globalização neoliberal. Só com unidade na acção , podem reagir, integrando o que pode ser positivo da globalização , e rejeitando as perversões do neoliberalismo .

Essa globalização neoliberal , passa pela exploração da guerra para levar adiante propósitos inconfessáveis, como é o caso do Iraque, tendo sido este Povo vitima de um processo de anulação colectiva, por meio de discursos militaristas que preparam , agora, a escalada belicista contra o regime do Irão. Continuamos a assistir à incompreensão geral contra os direitos do Povo Palestiniano que é o nó central de toda esta questão médio oriental.

Saudamos, a heróica luta dos povos da América do Sul para se libertarem do jugo norte americano, o qual tem sustentado tantas ditaduras sanguinárias nos seus territórios. E saudamos, enfim, a importantissima herança e tradiçao cultural europeia das Luzes, e do Laicismo,em Estados onde se respeitam as leis,separando-as do respeito pelas religiões.

A Opusgay sauda e apela todos os heteros e lgbt para que se unam a estas lutas pela dignidade ,pelo respeito , e pelos Direitos Humanos.

Associação Opusgay

António Serzedelo-Presidente

1º de Maio 2006

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